Por que o consumo de energia cai durante os jogos do Brasil na Copa?

torcido do brasil comemorando um gol na copa do mundo

Durante o jogo do Brasil, o consumo de energia do país despenca. No intervalo, dispara. Entenda o que os dados do ONS revelam sobre o comportamento elétrico de uma nação inteira durante a Copa do Mundo.



Quando a seleção brasileira entra em campo numa Copa do Mundo, alguma coisa acontece com o consumo de energia do país que vai muito além do óbvio. Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), divulgados durante a partida contra a Escócia na Copa de 2026, o consumo de energia elétrica despencou no momento em que o jogo começou, e disparou de forma recorde no intervalo.

Esse comportamento não é coincidência nem exagero. É um fenômeno real, medido em tempo real pelo órgão responsável por coordenar todo o Sistema Interligado Nacional, e que revela algo interessante sobre como o consumo de energia de um país se comporta em momentos de grande mobilização coletiva.

Os números da partida contra a Escócia

Segundo o ONS, antes mesmo da bola rolar já era possível notar o efeito da expectativa pelo jogo. Às 18h25, a carga de consumo estava em 98 mil MW. Até o momento em que a partida começou, esse valor já tinha caído 7 mil MW, uma redução equivalente à carga média consumida pelo estado de Minas Gerais.

Às 19h, no início do jogo, a demanda estava em aproximadamente 90 mil MW. A partir daí, com a torcida concentrada na televisão, o consumo continuou caindo. Até o fim do primeiro tempo, às 19h53, a queda total chegou a 9.058 MW, equivalente à soma das cargas médias do Rio de Janeiro e do Pará.

Isso significa que, naquele momento específico, o Brasil deixou de consumir uma quantidade de energia equivalente a tudo que esses dois estados consomem normalmente num instante qualquer do dia.

Consumo de energia jogo do Brasil

O intervalo: o maior salto já registrado

A virada aconteceu de forma rápida. Com o fim do primeiro tempo, o consumo de energia disparou 5,6 mil MW em apenas nove minutos, equivalente à soma das cargas médias de Santa Catarina e Mato Grosso. Segundo o ONS, esse foi o maior valor de rampa de elevação de carga já registrado em intervalos de jogos do Brasil nas últimas três edições da Copa do Mundo.

A explicação está no comportamento coletivo. Durante a partida, a maior parte da população fica parada, concentrada na tela, o que reduz naturalmente o uso de eletrodomésticos. No intervalo, ainda que sejam só alguns minutos, milhões de pessoas se levantam praticamente ao mesmo tempo: abrem a geladeira, esquentam alguma coisa no micro-ondas, ligam a air fryer, vão ao banheiro. Como esse movimento acontece de forma sincronizada em escala nacional, o resultado é um pico de demanda extremamente concentrado em um curto espaço de tempo.

O segundo tempo e a comemoração da classificação

Com o reinício da partida, o consumo de energia voltou a cair, atingindo o menor nível do dia, 78.236 MW, às 20h59, apenas três minutos antes do fim do jogo.

Mas o comportamento elétrico do país ainda reservava mais uma reação. Com a confirmação da classificação do Brasil como líder do grupo C, o consumo voltou a subir, dessa vez 8.546 MW em aproximadamente 18 minutos, equivalente à soma das cargas médias do Paraná e da Bahia. A comemoração coletiva, com TVs ligadas, luzes acesas e movimentação nas casas, teve impacto direto e mensurável na demanda elétrica nacional.

Como o ONS monitora esse fenômeno

O ONS é o órgão responsável por coordenar a geração e a transmissão de energia elétrica em todo o Sistema Interligado Nacional. Durante a Copa do Mundo, a instituição monta uma operação especial justamente para acompanhar essas oscilações provocadas pela mobilização dos torcedores, identificando o que o próprio órgão chama de rampas de carga, ou seja, subidas e quedas rápidas e intensas no consumo de energia.

Esse monitoramento em tempo real é o que permite ao sistema elétrico brasileiro se preparar e reagir a esses picos sem comprometer o fornecimento de energia em nenhum momento, mesmo em situações de variação tão abrupta quanto a que acontece durante o intervalo de um jogo de futebol.

O que esse fenômeno revela sobre consumo de energia

Esse episódio, além de curioso, é um exemplo real e em larga escala de como o consumo de energia está diretamente ligado ao comportamento das pessoas, não apenas ao número de equipamentos ligados. O mesmo princípio que explica a queda e o pico de consumo durante um jogo de futebol se aplica, em menor escala, a qualquer ambiente: residências, empresas e indústrias.

Entender padrões de consumo de energia, sejam eles motivados por um evento esportivo ou pela rotina operacional de uma fábrica, é o que permite antecipar picos, evitar sobrecargas e tomar decisões mais inteligentes sobre como gerenciar a energia elétrica.

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